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Rute, uma análise


Este livro tem como título o nome da personagem principal  cuja biografia é narrada em suas páginas. A  origem do nome procede da palavra hebraica que significa “amizade, associação”. Rute é a heroína do livro. Ela era uma moabita que viveu no tempo dos Juízes.

 CONTEÚDO


LANGE F. no livro Introducion al Antíguo Testamento  traz uma análise bem completa sobre o conteúdo.

O livro que Josefo, e aparentemente os Setenta consideraram como apêndice dos Juizes, figura no texto masorético entre os  (Ketubim ou Hagiógrafo). É um dos cinco rolos de Megilloth, e era lido na festa do Pentecostes Judeu. Seu conteúdo hermoso e idílico e sua forma poética justificam plenamente a importância que lhe davam. De nenhum modo se trata de uma novela, nem de uma legenda pagã, mas sim de uma história em que se relata como a moabita Rute, por fidelidade a sua sogra Noemi, abandonaria sua família, e sua pátria  (2.11) buscando sua proteção no Deus de Israel (2.12).

Em Belém chega ao campo de Boaz, parente de seu falecido esposo. Boaz depois de haver encontrado Rute pela segunda vez com Rute, a toma debaixo de sua proteção, prometendo cumprir seus deveres de Goel  (“Goel”: redentor se chamava o parente próximo, que segundo a lei do levriato, na morte do esposo, devia casar-se com a viúva) no caso de outro parente mais próximo renunciasse a seus direitos. Quando este renuncia Boaz adquire a herança e casa com Rute. O filho nascido deste casamento é adotado por Noemi. Porém as vizinha lhe deram o nome dizendo: nasceu um filho a Noemi, pelo qual lhe deram o nome “Obed”. Ele foi pai de Jessé, pai de Davi.[1]




ESBOÇO

O esboço do livro de Rute é bem simples, e não apresenta maiores problemas. A maioria dos autores o trazem divididos em quatro partes, uma em  cada capítulo. Optei pelo esboço apresentado pelo  Young que traz uma análise bem completa. Além das quatro partes traz uma divisão entre as partes.

I – Rute veio até Belém – Cap. 1.

a) Introdução. 1-7.
b) Rute resolve ficar com Noemi. 8-18.
c) Chegada a Belém. 19-22.

II – Rute encontra com Boaz – Cap. 2.

a) Rute rebusca espigas no campo. 1-7.
b) A gentileza de Boaz. 8-16.
c) Rute volta para junto de Noemi. 17-23.

III – Rute aos pés de Boaz – Cap. 3.

a) Conselho de Noemi. 1-5
b) Rute fala com Boaz. 6-13.
c) Rute volta para junto de Noemi. 14-18.

IV – Rute casa com Boaz – Cap. 4.
a) A cerimônia da remissão. 1-8.
b) O casamento. 9-12.
c) Primeiro filho de Rute. 13-17.
d) A genealogia de Davi. 18-22.[2]


POSIÇÃO NO CÂNON

Desde o início o livro de Rute  pertencia a parte   dos “Hagiógrafos”. Em época posterior foi incluído entre os rolos das festas, e destinado  a ser lido nas festas das semanas, ou seja, na festa da colheita do trigo, porque o livro fala em colheita. (cf. 1.22).  “Como a intenção do autor é narrar uma história da época dos Juizes (Cf 1.1), a versão LXX e outras traduções o colocaram  em seguida as livro de Juizes”.[3]
 A bíblia hebraica e a tradição Judaica coloca o livro de Rute entre os hagiógrafos  e entre os escritos de , como um dos cinco rolos (). Na bíblia dos cristãos o livro de Rute está entre os livros históricos, pois conta uma história no tempo dos Juizes (Cf. 1.1), que explica ao povo a origem do rei Davi (Cf. 4. 17-22). Nesta diferença entre a bíblia Judaica e a bíblia Cristã transparece  a variedade de opiniões quanto a mensagem e o objetivo do livro de Rute, e esta diferença continua até hoje[4].
“Parece ter-se adotado para a composição do livro de Rute pelo fato de primitivamente se colocar o livro depois dos Juizes, em vez de ser entre os hagiógrafos”.[5]  Assim também na LXX e na Vulgata.  Josefo considera o livro com um apêndice do livro de Juízes. Jerônimo parece também indicar que os Judeus colocavam Rute com Juizes, mas por outro lado acrescenta que outros autores colocam Rute entre os hagiógrafos.[6]
Quanto a inclusão do livro de Rute no Cânon, não houve problemas  na sua aceitação, visto que a genealogia de Davi apresentada em 4.17-22  coincide com a de Mateus e com a de Lucas. Além de ser a genealogia de Davi, é também a de nosso Salvador.[7] 

 

AUTORIA


O livro Rute não contém qualquer indicação a respeito de sua autoria. “A tradição judaica Baba bathra,  sugere como Samuel  o autor do livro. Ela diz que Samuel escreveu  Samuel, Juizes e Rute. Mas esta possibilidade é muito improvável, visto que o livro menciona a genealogia do rei Davi”[8]  (Cf. 4.17-22), e isso quer dizer que o livro foi escrito em alguma época do reinado de Davi.
E se foi escrito na época do reinado de Davi fica claro que não foi Samuel que escreveu Rute, porque naquela ocasião Samuel já estava morto.
A respeito de Samuel ter escrito o livro, não há outra hipótese mais plausível até agora. O que faz pressupor que Samuel escreveu o livro de Rute, são as evidências internas, isto é, a linguagem e estilo são semelhantes ao livro de Samuel. Alguns estudiosos dizem que o livro é anônimo, não se tem certeza de quem o escreveu.
HUMMEL  diz o Talmulde atribui a autoria a Samuel, mas tal afirmação é tida como incientífica. No entanto, não há sugestão mais plausível do que a do Talmude.
MILES diz: “É quase certeza que o autor do livro de Rute, possivelmente moabita, seja uma mulher. Ele/ela responde a tudo isso celebrando o amor castro de Rute por sua sogra e sua fervorosa lealdade ao Senhor de Israel”.[9]

Todos os livros pesquisados com exceção do Miles, tanto os Liberais quanto os Conservadores trazem esta posição: “de que pode ter sido Samuel que escreveu o livro, mas não se tem certeza”. Quando Davi começou a reinar Samuel já estava morto, mas antes de Davi se tronar rei Samuel ainda vivia, visto foi Samuel quem o ungiu (cf. Sm 16.1-13). Nesta época Davi não era uma pessoa famosa, mas Samuel naquela ocasião, já poderia estar certo que Davi seria um grande rei.   A minha opinião é que há claras  evidências para se dizer que foi Samuel que escreveu, não na época do reinado de Davi, mas antes de Davi se tornar rei.  É muito difícil dar uma posição e sustentá-la, mas fica como uma possibilidade.[10]



[1] LANGE, F.   Introducion al Antíguo Testamento. 1902. P. 130
[2] YOUNG, Edward. Introdução ao Antigo Testamento. 1964. P. 356
[3] SELING, Ernest- FOHRER, G. Introdução ao Antigo Testamento V. 1. 1978. P. 353.
[4] MESTERS, Carlos. Rute. Comentário bíblico. 1986.  P. 08
[5] YOUNG, Edward. Introdução ao Antigo Testamento. 1964.  P. 355
[6] Idem, Ibidem P. 355-356
[7] LANGE, F.   Introducion al Antíguo Testamento. 1902. P. 131
[8] YOUNG, Edward. Introdução ao Antigo Testamento.  1964. P.353
[9] MILES, Jack. Deus, Uma Biografia, 1997. P. 384
[10] Comentário pessoal sobre autoria

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